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13/09/2018

Mais do que stand-up: Fábio Lins

Fábio Lins

O Ela é de Julho fez uma entrevista incrível com o comediante, Fábio Lins.
Natural de Brasília, Fábio Lins se formou em Curitiba e em São Paulo. Atua desde os seus 11 anos e com 17 anos começou no stand-up. Ao decorrer de sua carreira se especializou em comédia, improvisação, mímica, stand-up comedy e teatro físico. Hoje, coordena o Espaço da Comédia em São Paulo, onde ensina todas essas técnicas a pessoas que querem iniciar suas carreiras e aprimorar sua habilidades artísticas.
Em nossa conversa, Fábio conta como começou na comédia, quais foram seus maiores desafios e quais são seus projetos.
Bora conferir!

Ela é de Julho: Quando e como foi o inicio da sua carreira? O que te levou a seguir o caminho do humor?
Fábio Lins: Eu nunca tinha focado na comédia. Até os meus 16 anos, mais ou menos, eu fazia teatro já desde os 11 e a minha vontade era só de ser ator mesmo e até tinha uma preferência pelo drama. Mas, a verdade é que eu fui descobrir a comédia quando eu entrei no curso de um cara incrível lá em Curitiba, Mauro Zanatta, ele tem um espaço lá que se chama "Oficina do ator cômico" e lá a gente tinha um curso de comédia, para atores e não atores. Nesse momento eu vi que eu me dava bem naquilo e lá nasceu o meu primeiro texto de comédia. Nessa época tinha o Cabaré do Diogo Portugal, que era um show muito bom de comédia que eu ia muito, era perto da minha casa, tinha um amigo que chama Fabio Silvestre, que é um ótimo ator, comediante, que fazia bastante esse show e ele me convidou para testar, falou assim "Por que você não arrisca fazer um número e tal?" Então, eu peguei esse texto que havia começado a criar lá no Mauro Zanata e escrevi mais e adaptei, fiz um trabalho lá para o palco desse show do Diogo Portugal e isso foi muito bom. Foi nesse momento que eu comecei, eu tinha 17 anos e foi muito legal. Esse show era incrível, porque tinham vários tipos de humor, tinha Stand-up, tinha contador de piadas, tinha personagem, tinha imitação, tinha música, era um "cabarézão" cheio de coisas voltada para a comédia, então era um baita laboratório.

Ela é de Julho: Quais foram suas maiores dificuldades? Já pensou em desistir?
Fábio Lins: A maior dificuldade... uma é aprender a fazer comédia, né? Eu demorei para pegar no tranco e para ter a disciplina de criar, aprender que eu tinha que sentar e escrever, pensar em piada e testar e errar, então isso era difícil no começo e se o comediante não tomar cuidado ele acaba ficando em uma zona de segurança e para de arriscar, para de escrever coisas novas, isso sempre é uma dificuldade para o comediante. E eu já pensei em desistir sim, não exatamente de "desistir", mas priorizar outras coisas além de comédia, por que como eu disse eu sou ator também e gosto de coisas que envolvam drama, ou que sejam mais corporais e não só faladas como no stand-up, mas hoje em dia eu já consigo equilibrar bem isso. Eu tenho um curso de teatro de improviso sem fala, onde a gente faz muita mímica, eu tenho meu show de stand-up, tenho uma peça. Dessa forma, eu vou expressando todos os lados artísticos que eu consigo, a partir do momento em que eu consigo ter as ferramentas necessárias para isso. Eu não pensei em desistir, mas já pensei em meio que dar um tempo da comédia para focar em outras coisas. Só que sonho em ficar fazendo stand-up para o resto da vida, até ficar velhinho, igual um cara que eu gosto muito o George Carlin.

Ela é de Julho: Quais são suas influências?
Fábio Lins: Minhas influências estão muito relacionadas a minha família, minha família gosta muito de piada, de dar risada, tá sempre falando bobagem, e amigos meus também, tem um amigo Daniel, tinha um amigo da infância o Vina, o Vina era muito engraçado. E as influências artísticas, esse cara que acabei de falar, George Carlin, ele é incrível, um baita de um comediante e gosto muito do Avner Eisenberg, é um palhaço. (Avner o excêntrico).

Ela é de Julho: Qual foi, ou é, o maior desafio da sua carreira?
Fábio Lins: O maior desafio da minha carreira aconteceu esse ano, em um show lá em Porto Alegre, um bar que se chama Skull. É um bar da Brahma, lá e eu fiz um show que era para eu ficar no palco uns 40 minutos, só que eu fui ficando, fui ficando, e a plateia foi gostando. Só que teve uma hora em que eu falei que precisava acabar o show, depois de mais ou menos uma hora e pouco, e eles falaram "Não, não fica ai!". Acabou que eu fiquei e já tinha dado duas horas de show, foi quando eu avisei "Galera eu preciso ir embora", ai eles insistiram para eu ficar, e eu falei "eu tenho umas 5 horas de piadas, né, mas nem todas são boas e eu acho que nem lembro todas também", ai eles responderam "A é? Então, faz aí 5 horas". Eles me desafiaram a fazer tudo, e eu acabei fazendo umas 3 horas e meia de show, foi muito doido, foi uma experiência incrível!

Ela é de Julho: Você é o autor do livro "10 passos da comédia stand-up: Como se ferrar menos no palco", conta um pouco como foi essa ideia. Teremos mais livros seus?
Fábio Lins: Esse livro nasceu dessa história deu dar aula, hoje em dia eu tenho uma escola, chama Espaço da comédia, já faz 5 anos que eu dou oficinas de Stand-up, curso de 4 meses, 5 meses também. A cada oficina eu ia aprendendo um pouco mais sobre como eu poderia instruir o aluno para ele descobrir a comédia dele e nisso, junto com o aluno eu fui desenvolvendo esses 10 passos que eu acho que são bem legais, se a pessoa seguir tenho certeza que ela vai conseguir ter um stand-up de qualidade. E sim, na verdade esse livro que você citou "10 passos da comédia stand-up" ele é uma versão que tem virtual, um e-book, e agora eu estou reescrevendo ele para lançar em uma versão física e também virtual, mas com mais conteúdo, com bastante coisa e eu acho que vai mudar o título, vai ter os 10 passos dentro dele mas, vai ter mais complementos. Eu quero lançar ele ainda esse ano.

Ela é de Julho: O que é o curso IMPROMÍMICA? Como começou a ideia?
Fábio Lins: O IMPROMÍMICA foi um curso que dei, que era uma pesquisa de mímica com improvisação. Ou seja, fazer teatro improvisado sem falas, cenas só em silêncio, um trabalho de teatro físico. Eu sou formado em mímica total no Estúdio Luis Louis, que é meu parceiro, vizinho do Espaço da Comédia e há muitos anos pratico a improvisação e isso surgiu dessa vontade de fazer um trabalho de improvisação que fosse internacional, em que eu pudesse levar para vários festivais, porque é difícil ter um grupo de teatro aqui no Brasil, que super domine inglês e espanhol para poder enviar material para fora, né? E é uma pesquisa que eu acho muito maravilhosa, essa do teatro sem fala, eu já estudei isso lá em Curitiba com Mario Zanatta, muito tempo e depois com Luis Louis também. Então, me encanta muito esse trabalho. E dentro do teatro de improviso, eu acho que fica muito em cima da fala, tudo se resolve muito falando, falando e eu queria realmente aprofundar essas pesquisas de resolver as cenas no silêncio e ver o que acontece a partir disso, foi a partir daí que esse curso Impromimica gerou um grupo de teatro que se chama: IMPROMIME.

Ela é de Julho:  Hoje em dia vivemos o momento do humor politicamente correto. Qual sua opinião sobre isso? Você acha muito limitador para o artista comediante ou acha certo que exista um limite? Afinal, existe limite para o humor?
Fábio Lins: Bem, quanto ao limite do humor, o limite é a graça, né? É isso, eu acho que não tem nenhum tema que seja tabu, assim, que você não possa falar, que seja proibido, isso é censura, isso é ditadura. A questão é como se fala desse tema e se você consegue fazer uma piada realmente boa sobre aquilo, eu não sou a favor do humor de "bullying pelo bullying", de sair falando mal de forma aleatória, mas eu acho que se a piada for muito, muito boa, acho que vale a pena e acho difícil fazer esse tipo de humor, de tocar em um assunto que seja delicado e fazer todo mundo entender seu ponto de vista cômico e fazer todo mundo rir. Em um show isso é mais controlável, mas quando por exemplo, você pega uma piada de um comediante, em que ele faz em um show de stand-up, escreve ela e publica na internet ou em jornal, ai pode sair totalmente do contexto e a pessoa vai ler a partir da interpretação que ela quer e é muito fácil ver aquilo como ofensa ou como algo de super mal gosto. É totalmente diferente de um contexto de um show ao vivo, então isso pode gerar muito problema. Eu não acho que o humor tenha um limite de tema não, eu acho que o limite é a graça, no sentido de que tem que se fazer uma piada muito, muito boa, quanto pior o tema, melhor tem que ser a piada.

Ela é de Julho: No stand-up, qual a sua maior dificuldade? Já aconteceu algo constrangedor em alguma apresentação sua com a plateia?
Fábio Lins: No stand-up acho que a maior dificuldade é você estar trazendo piadas novas com uma certa regularidade e piadas boas. É muito difícil testar piadas novas, todo comediante fica ansioso e nervoso com isso, porque sabe que pode errar, pode falhar, tem uma dificuldade de adaptar também né, cada show é um show diferente, a gente pega plateia diferente e se a gente não estiver preparado pode acabar fazendo escolhas erradas e fazer um show ruim. Mesmo tendo vindo de um show incrível do dia anterior não quer dizer que o próximo show vai ser ótimo. Então eu acho difícil achar um comediante que tem um ego muito inflado assim, porque todo comediante tem show ruim, sabe? E sim, já passei por varias situações constrangedoras, de plateia falar bobagem no meio do show, levantar e me ofender de graça. Já fiz show para empresa e eu falei o nome da empresa concorrente no final do show, foi uma cagada (risos), mas eu consegui reverter fazendo uma piada boa, passou batido, tudo certo. E eu já fiz um show em um casamento, que foi uma desgraça, foi horrível, era para eu ficar uma meia hora no palco e eu não fiquem nem 10 minutos e saí com vergonha, porque não era para eu estar ali! Era uma platéia muito diferente, tinha gente estrangeira, gente evangélica, gente que curtia rock 'n roll, ou seja, era um público muito misturado demais e eles não estavam ali para ver o show, então foi uma desgraça.

Ela é de Julho: Como começou a Escola da Comédia?
Fábio Lins: O Escola da Comédia é o resultado do meu curso de Stand-up comedy. Começou depois da primeira turma que fez um curso de 4 meses, que até então eu dava oficina de final de semana, de dois dias, três dias, mas eu vi que isso não era o suficiente, então eu resolvi fazer um curso mais longo, e aí depois do curso acabar eu vi que isso também não era o suficiente, porque eles precisavam ter um espaço para eles se apresentarem com mais frequência. Foi a partir daí que começou esse projeto Escola da Comédia, onde todos os alunos que fazem meu curso longo, presencial, entram no elenco do Escola da comédia.

Ela é de Julho: Quais seus projetos?
Fábio Lins: Hoje meus projetos são vários, eu sou um louco que não paro de fazer coisas, geração Y, que faz um monte de coisa ao mesmo tempo. Eu tenho o Espaço da Comédia, onde a gente conduz lá vários cursos de improvisação, de teatro, de dança, de stand-up comedy, eu e outros professores, e lá a gente também tem uma programação de apresentações nos finais de semana. Eu tenho o IMPROMIME, que dirijo, um grupo de teatro de improvisação com mímica, temos mandado nossos espetáculos para projetos lá no exterior. E esse ano estreamos lá em Amsterdã, no festival, foi muito legal. Eu tenho um trabalho solo novo que chama "Livra-me" que é um monologo, não é stand-up é uma peça que é autoral, eu que criei, e lá tem um pouco de comédia, um pouco de drama, tem mímica, tem um monte de coisa, mas é um trabalho mais de ator mesmo. E eu continuo com Escola da comédia, fazendo shows e quero retomar também um show de improvisação de jogos de comédia que chama "Do Nada" com Allan Benatti. Fora isso, toda semana a gente posta no instagram o "Bitos e bolota" que são tirinhas de humor em que eu faço o roteiro e o Gilmar, que é um cartunista incrível faz os desenhos. E também toda semana eu posto dicas para quem quer ser comediante no meu canal do youtube e estou escrevendo, como eu te falei, o livro, que eu ainda não achei o nome correto, mas eu vou lançar ainda esse ano, um livro sobre comédia Stand-up.


Para quem quer saber mais sobre os cursos do Espaço da Comédia ou quer entrar em contato com Fábio Lins, só acessar o site: https://www.fabiolins.com.br/
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27/05/2017

Embarque no mundo colorido de Laís Soares - Parte 1

Laís Soares

Laís Soares, designer e ilustradora. Nossa querida paulistana, nasceu no dia 19 de agosto e por sorte tem o talento de expressar em desenhos seus sentimentos. Sua ilustrações transmitem emoções que mexem com nossos sentidos. Nosso bate-papo foi um pouco longo, mas muito interessante, dividimos em duas partes essa entrevista tão rica em informações e dicas de Laís, que nos conta como começou a desenhar e como foi o processo para criar os personagens do livro o Bom do Amor.

Ela é de Julho - Você sempre desenhou? Como descobriu que essa era sua paixão?
Laís - Gostaria de dizer que sim, que desenho desde criancinha, como a maioria dos ilustradores que eu admiro. Mas não. Eu descobri a ilustração no ensino médio, quando ao mesmo tempo fiz um curso técnico de Comunicação Visual. Na época, eu era apaixonada mesmo por fotografia, desde os 12 anos gostava de brincar de montar cenários com objetos, papel colorido, massinha, colagens, e passar a tarde fotografando pra passar alguma ideia com as imagens. Na minha cabeça de 14 anos (a idade que eu tinha quando comecei o curso), eu comecei a achar que pra fazer algo relacionado a fotografia como eu gostava, eu precisaria de um equipamento muito caro. Daí no curso acabei descobrindo que o que eu queria mesmo era expressar coisas visualmente, e que existem infinitas maneiras de fazer isso. Eu descobri que o desenho era uma possibilidade quando vi uma palestra da Marcella Tamayo, uma ilustradora brasileira maravilhosa, e percebi que aquilo era algo mais perto de mim do que eu pensava. Logo em seguida tive aula de pintura, e foi aí que eu aprendi a mexer com tinta e nunca mais parei.

Ela é de Julho - Quem te inspira? Tem algum desenhista ou ilustrador que desperta sua admiração?
Laís - Minha primeira referência, e que eu acompanho até hoje com muito carinho, foi a Marcella Tamayo. Eu tenho a sorte de ter amigos muito próximos que são ilustradores mega talentosos e que me inspiram muito: a Gabriela Biscáro e o Guilherme Zamarioli. Além deles, tem um monte de gente linda que produz um conteúdo muito legal sobre ilustração na internet e que são grandes inspirações pra mim: a Fran Meneses (mais conhecida como Frannerd), a Iraville, rainha das aquarelas, a Gemma Correll, Felicita Sala, Nan Lawson, Rebecca Green, e muitas outras - falo no feminino porque a grande maioria das minhas referências é de mulheres e fico muito feliz sempre que me dou conta disso.

Ela é de Julho - Quando você recebeu o convite da editora Rocco para fazer as ilustrações da webcomic "O Bom do Amor", houve uma hesitação, qual foi o motivo disso acontecer? Pode nos contar um pouco dessa história?
Laís - O primeiro contato da editora foi pra fazer uma capa de outro livro, mas eu vi a mensagem só 5 meses depois (risos). Fiquei desesperada por ter perdido a oportunidade, porque meu sonho sempre foi trabalhar com design editorial, poder misturar literatura com desenho. Mesmo assim eu entrei em contato e me mostrei disponível pra outros trabalhos que aparecessem. Mas eu não esperava que fosse considerada pra um trabalho assim tão grande e especial, nunca tinha feito nada parecido. A editora perguntou se eu tinha interesse, me mostrou a ideia, as referências, e eu senti um misto de felicidade com muito, muito medo. E aí veio a hesitação. A ansiedade é um monstro com o qual eu luto todos os dias, e que muitas vezes me paralisa. Lembro que fiquei fosforilando sobre essa ideia um tempão, me perguntando se daria conta, oscilando entre achar que eu não estava preparada e ao mesmo tempo não querer deixar passar a oportunidade. Ainda bem que eu não deixei passar, acho que nunca me perdoaria. Isso me ensinou muita coisa, foi um grande aprendizado sobre a vida adulta: a verdade é que a gente nunca, nunca vai se sentir preparado de verdade, tem que ir mesmo com medo e aceitar os desafios. Principalmente quando é relacionado a algo que gostamos e em que estamos dispostos a colocar toda nossa energia, comprometimento e carinho. Quando temos tudo isso, acho que não tem muito como dar errado. Eu respondi a editora e mandei um teste, super nervosa, mas no fim tanto ela quanto a Chris adoraram a minha proposta e deu tudo certo. Hoje em dia tomo muito cuidado pra não deixar o medo me paralisar de novo, porque se tivesse demorado mais um pouquinho, não teria feito o projeto.
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Embarque no mundo colorido de Laís Soares - Parte 2

Ilustração O bom do Amor Laís Soares

Ela é de Julho - Observando seus lindos trabalhos anteriores, podemos ver que você não costuma desenhar pessoas. Como foi esse desafio para você?
Laís - Os temas dos meus desenhos geralmente têm a ver com um universo meio onírico, costumo ilustrar muitos bichos e plantas. Quando desenhava pessoas, geralmente era uma figura feminina, e nunca de corpo inteiro. O fato de “O Bom do Amor” ser uma proposta em que eu deveria desenhar pessoas - as mesmas pessoas - sempre em cenários e posições diferentes foi uma das coisas que mais me deixaram com medo de pegar o projeto. Eu tive que passar por um processo de abandonar o perfeccionismo, de parar de comparar o meu desenho com outros estilos - o que é um hábito nada saudável, mas muitas vezes involuntário e que ainda estou aprendendo a controlar. Tive que colocar na minha cabeça que o meu trabalho não precisava ser 100% perfeito em relação aos fundamentos clássicos de desenho - principalmente anatomia e perspectiva - desde que ele passasse uma ideia. Então foi a única coisa que eu me impus de verdade: precisa passar um sentimento, uma expressão. Precisa funcionar. Até porque o perfeito nem existe, em ilustração não existe certo e errado, apenas jeitos diferentes de cumprir o objetivo de expressar. Mas também não me permiti utilizar esse pensamento pra me acomodar, porque sempre temos como melhorar. Logo depois de ter terminado “O Bom do Amor”, comecei a fazer um curso de desenho e estou absorvendo para o meu traço alguns fundamentos pra que ele se desenvolva melhor e tenha mais recursos para ser cada vez mais expressivo.

Ela é de Julho - Esse foi seu primeiro trabalho como ilustradora? Como foi essa experiência?
Laís - Foi! Tudo que eu fazia em relação a ilustração era extremamente pessoal. Já ilustrei alguns textos de outras pessoas, é um processo que eu gosto muito mas nunca tinha feito profissionalmente. Geralmente desenhava para presentear amigos, ou pra ilustrar algumas coisas que eu sentia ou pensava, ou alguma música. A experiência foi muito legal e muito menos aterrorizante do que eu esperava. Eu sou designer e trabalhei por muito tempo em agência de publicidade, onde é comum termos milhões de alterações nos materiais e termos a impressão de que nunca vamos agradar de verdade o cliente, mesmo quando justificamos todas as nossas escolhas com fundamentos técnicos que passamos um tempão estudando. Eu estava meio que acostumada com esse tipo de coisa, e tinha medo de que isso acontecesse com a ilustração, porque não tinha experiência em lidar com isso nessa área e não gostaria de transformar uma coisa que gosto tanto em uma experiência estressante. Mas foi justamente ao contrário, a experiência me fez amadurecer muito e me ajudou a deixar pra trás pensamentos tóxicos que eu tinha em relação ao meu trabalho. Foi uma oportunidade de evolução pela qual serei sempre muito grata.

Ela é de Julho - Como foi sua relação com a autora Chris Melo durante o processo de ilustração?
Laís - A Chris foi uma querida do começo ao fim. Ela já tinha a ideia pronta, muito bem organizada e desenvolvida, então quando cheguei no projeto, foi pegar e fazer. Acho que os nossos trabalhos foram tão sintonizados que não precisei fazer nenhuma alteração, em nenhum desenho. Os feedbacks dela eram sempre apaixonados e eu sentia que ela estava feliz de ver as palavras dela ganhando cores, e isso me incentivava tanto, foi tão importante. O prazo desse projeto foi uma loucura, muito apertado, e ela dividiu comigo um material muito bem descrito, então tudo funcionou muito bem, apesar da correria.

Ela é de Julho - Como surgem suas ilustrações? As inspirações vêm todas do próprio texto ou há um trabalho de pesquisa antes da criação?
Laís - Nas minhas ilustrações, meu processo sempre vem de lugares diferentes e até bem aleatórios. Às vezes é uma experiência, uma música, um filme, um livro, alguma outra ilustração, ou algum tema muito subjetivo. Por exemplo: me deu vontade de fazer alguma coisa aquática. Daí pode sair uma baleia, pode sair uma série de nadadoras com maiôs coloridos, pode sair uma textura manchada de aquarela em tons oceânicos profundos, ou em azul piscina. Tem vezes também em que me vem na cabeça, do nada, alguma cena muito específica, tipo uma personagem com expressão muito chique com uma máscara feita de rosquinha. Aí eu anoto e desenho depois. A pesquisa de referências costuma vir depois desses estalos, mas também tem casos em que estou aleatoriamente vendo referências e os estalos aparecem. Isso tudo acontece com os meus desenhos pessoais. No caso de “O Bom do Amor”, já tinha um bom caminho andado, pois a Chris já sabia como seriam os personagens. Ela os descreveu pra mim, e eu fui buscando formas de expressar visualmente as características que ela deu a eles.

Ela é de Julho - Você tem uma técnica de desenho bem diferenciada.Quais técnicas você utiliza?
Laís - A técnica com a qual me sinto mais confortável é aquarela, mas gosto de misturar e tentar outras coisas. Acho que uma das principais características do meu trabalho é que sempre procuro colocar algo de manual e artesanal nele - sou muito adepta às técnicas analógicas, acho que elas têm uma carga diferente de carinho e singularidade. Gosto de trabalhar com tintas em geral, mas sempre passa por ajustes digitais antes de ser considerado final. Às vezes os ajustes acabam mudando bastante a cara do desenho, e aí fica uma mistura analógico-digital que eu gosto muito.

Ela é de Julho - Você poderia citar alguns dos seus trabalhos preferidos?
Laís - Além de “O Bom do Amor”, gosto muito de um pequeno projeto editorial que eu fiquei mais de um ano pra terminar. Chama-se “Conversa de Herbário” e é um conjunto de dez histórias sobre plantas, que eu escrevi, ilustrei, diagramei, imprimi, encadernei, tudo em casa. É muito especial pra mim. Tem também o “Calendário de Banana”, que fiz pra faculdade em 2014. Tinha que ser um calendário fotográfico e quis fazer com o simples tema: banana. Outro que gosto muito é uma série de aquarela que fiz e misturei com fotografias de plantas, o “Reachy Hands”.

Ela é de Julho - O que você gosta de fazer nas horas vagas?
Laís - Eu pratico karatê, uma paixão recente, assisto séries e filmes e leio bastante.

Ela é de Julho - Quais são seus projetos?
Laís - No momento, pretendo continuar desenvolvendo meu desenho, e tenho várias ideias para séries de ilustrações. Quero investir mais em ilustrações digitais, pois é um jeito mais fácil de unir ilustração com a minha profissão de designer. Estou trabalhando nessa “migração” do digital pro analógico, pois quero manter as características do meu desenho em técnicas diferentes.

Ela é de Julho - Quais sonhos você ainda deseja realizar?
Laís - Acho que o principal é o de viajar bastante e de continuar participando de projetos com os quais eu realmente me conecto.

Acabou por aqui, obrigada Laís! Aguardamos ansiosos por mais desenhos, que não somente ilustram os textos, mas também nossos dias.
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18/05/2017

Conheça Chris Melo

Chris Melo

Chris Melo, paulistana e professora de língua portuguesa, não pensava em ser escritora, mas por sorte suas crônicas se tornaram sua verdadeira paixão! Hoje, autora dos livros Sob a Luz dos Seus Olhos e Sob Um Milhão de Estrelas, é considerada por seus admiradores a "Nicholas Sparks de saia", isso por conseguir transmitir em palavras, sentimentos que tocam a alma de seus leitores.

Nesse próximo sábado, 20 de maio de 2017, nossa querida escritora estará lançando seu livro O Bom do Amor, com ilustrações de Laís Soares, pela editora Rocco. E é claro que o Ela é de Julho não poderia ficar de fora dessa! Na entrevista abaixo, Chris nos conta como surgiu a ideia para seu primeiro livro, suas inspirações e novidades que vocês vão adorar saber!

Ela é de Julho - Como surgiu a vontade de ser escritora? Sempre foi seu sonho?
Chris - Nunca esperei ser escritora, simplesmente aconteceu. A vontade surgiu depois de ter publicado o primeiro livro. Somente naquele momento senti que aquele era o meu lugar no mundo.

Ela é de Julho -  Quem são seus autores inspiração? Qual seu livro favorito?
Chris- Sempre sofro com essa pergunta. Cada fase da vida teve um livro, um autor e seria injusto negar está verdade. Sempre cito Clarice Lispector porque ela é minha fada madrinha, mas os livros me acompanham desde a infância.

Ela é de Julho - Como surgiu a ideia de escrever seu primeiro livro? Qual foi sua maior dificuldade para publicação?
Chris - O mote inicial foi uma história de amor extraordinária e sobrenatural que acontecesse entre dois humanos. Na época, a fantasia estava em alta e eu sentia falta de histórias românticas convincentes entre duas pessoas sem poderes ou atributos fantásticos. Milagrosamente não tive dificuldade na minha primeira publicação. Foi em uma editora pequena, mas sem custos para mim. A dificuldade veio depois para me firmar e mostrar que eu não era uma autora de um livro só, que tinha vindo pra ficar.

Ela é de Julho - Qual o momento você se sente mais inspirada e com vontade de escrever?
Chris - O tempo todo. (risos)

Ela é de Julho -  Qual dica você pode dar para quem quer seguir essa profissão?
Chris - Respeite seu idioma. Conheça suas regras, seus recursos. Impossível querer ser escritor sem amar sua Língua, cada palavra. Escreva por objetivos diversos, mas nunca pensando na publicação, senão você se perde. O livro concretizado deve ser uma consequência natural, não uma busca doentia.

Ela é de Julho -  Você é considerada pelos seus admiradores e fãs como a “Nicholas Sparks de saia”, como você lida com isso?
Chris - É uma honra ser comparada com o líder do gênero, mas nossa semelhança está na capacidade de emocionar através da escrita, nossas histórias e, principalmente, nosso jeito de escrever são diferentes.

Ela é de Julho -  O que você mais gosta de fazer nas suas horas vagas?
Chris - Adoro ficar à toa com a minha família ou sozinha. Meu tempo livre é raro, mas precioso e eu o aproveito bem. Sempre digo que o ócio é importante. Não estranhe se um dia me ver encarando o nada, é neste silêncio que as melhores coisas acontecem.

Ela é de julho -  Sobre " O Bom do Amor". Como surgiu a ideia de uma webcomic? Já sabia que se tornaria um livro?
Chris - A ideia existe há bastante tempo. Sou um poço de ideias. O BOM DO AMOR nasceu após uma conversa com a minha editora na qual expus meu desejo de contar histórias em outros formatos. A webcomic surgiu do apoio da Rocco e da credibilidade que deram ao projeto. O livro nasceu da boa aceitação e receptividade incrível do público.

Ela é de Julho - Você acredita que esse tipo de publicação se tornará cada vez mais comum, em um mundo informatizado como hoje? Isso é positivo na sua opinião?
Chris - A vida mudou, as mídias também. A intenção é atingir o maior número possível de pessoas e se é para espalhar coisas boas, positividade e amor, é sempre maravilhoso poder contar com esses novos formatos.

Ela é de Julho - Você já conhecia a Laís Soares? Como foi essa parceria?
Chris - Não. A minha editora fez uma pesquisa e me mostrou o trabalho de alguns ilustradores. A Laís foi a nossa favorita desde o princípio.

Ela é de Julho - Quais são seus próximos projetos?
Chris - Por enquanto é segredo. A única coisa que posso adiantar é que colocarei uma história na Amazon em celebração ao mês dos namorados - O MEU JEITO DE AMAR.

Ela é de Julho- Quais sonhos você ainda deseja realizar?
Chris - Os sonhos me encontram aos poucos, à medida em que realizo alguns, ganho outros. No momento, é continuar contando história, emocionando as pessoas e mostrando que cada ser humano tem sua própria maneira de amar e de trilhar seus caminhos.

A nossa entrevista fica por aqui, deixando aquele gostinho de quero mais e esperando ansiosos pelas próximas publicações. Que venham logo para termos mais um bate papo com essa autora tão talentosa e generosa.




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